Cúmplices de um Resgate e Carrossel: o fenômeno das novelas do SBT
em 25.06.16, por Bel Bonotto Vídeo
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Me lembro muito bem quando o SBT anunciou há 4 anos que faria o remake do clássico infantil Carrossel. As pessoas, principalmente quem acompanhou as inúmeras reprises da versão mexicana durante a infância, torceram o nariz e não botaram fé na produção da emissora paulista, mas todos tiveram uma grande surpresa. A novela estreou e foi um sucesso, não é a toa que está reprisando novamente no horário nobre do SBT, como também lançou vários produtos licenciados e uma sequência de dois filmes nos cinemas. Esse foi só o começo de uma mudança na dramaturgia do SBT.

Esse sucesso se repete atualmente com a trama Cúmplices de um Resgate, também adaptada de uma versão mexicana e sucesso absoluto de audiência e de vendas, com livros, cadernos e demais produtos oficiais da trama teen à venda em todos os cantos do Brasil. A protagonista presente nas duas novelas, Larissa Manoela, é um dos grandes acertos para segurar a audiência, assim como os demais atores infantis que são extremamente talentosos e carismáticos.

Não acredito que o segredo para este fenômeno seja apenas as histórias, pois muitas vezes elas carecem em diálogos e soam superficiais, além de personagens cansativos como o casal Fiorina e Giuseppe. O fenômeno das novelas infantojuvenis do SBT se deve à carência que o público infantil tinha de programação voltada exclusivamente para eles na TV aberta. Há um tempo o SBT reforçava o conceito de ser a TV da família brasileira e realmente é. Atualmente, o SBT é a maior emissora que dedica parte de sua programação para o público infantil, tanto de manhã quanto à tarde e à noite, atingindo jovens de todas as idades e escolaridades, e adultos também: desde os pais assistem junto até aqueles que gostam de uma trama mais leve e divertida.

As crianças e os jovens  precisavam de um espaço dedicado a elas na TV aberta, e o resultado da recepção dos investimentos das tramas juvenis são o sucesso absoluto das longas histórias, que duram mais de um ano no ar, e ainda assim seguem um fenômeno do começo ao fim, como também aconteceu com o remake de Chiquititas.  O público infantojuvenil não pode ser ignorado, ele existe e é imenso, consome tanto televisão quanto internet e merece atenção. Ponto para o SBT por enxergar isso e engatar mais uma produção especialmente pra essa galera: a emissora está produzindo o remake de Carinha de Anjo, com a participação especial da grande estrela mexicana Lucero, e já é um sucesso de buzz online antes mesmo de estrear. Se o fluxo continuar desta forma, a trama da pequena Dulce Maria (Lorena Queiroz) será mais um grande êxito.

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Power Couple Brasil: entenda o porquê do sucesso do reality
em 24.06.16, por Bel Bonotto Suculento, Vídeo
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Nesta terça-feira (21/6) chegou ao fim o polêmico reality show Power Couple Brasil. Durante a disputa, os oito casais formados por nossas amadas subcelebridades e figuras da mídia, tiveram que provar que confiavam um no outro e que são o casal mais poderoso do Brasil. O programa acertou em cheio com a escolha do elenco, reunindo a personalidade passiva de Túlio Maravilha em relação à sua esposa Cristiane; a sintonia de Gretchen e Carlos; o gênio difícil de Simony e o equilíbrio de Patrick; a garra de Andréia Sorvetão e a mente estratégica de Conrado; a lerdeza e confiança dos vidas Gian e Tati; a beleza de Pietra e Marcio; o espírito esportista de Popó e Emilene e a parceira total de Laura Keller e Jorge.

Desde o começo do programa, a dupla Laura e Jorge se destacou por suas apostas altas um no outro e por vencerem todas as provas. Claro que os demais participantes ficaram incomodados e foi o que moveu o programa até o final: as infinitas tretas que rolaram de todos contra o casal Kamikaze, como eles são chamados pelos fãs. As desavenças renderam vários momentos interessantes no Power Couple Brasil, mostrando que este programa tem mais aproximação com a vida real do que muitos realities por aí. Vamos avaliar o porquê.

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Como esquecer a prova da pimenta, que foi uma determinante no climão da casa? Os casais, movidos pelo desejo de sabotar a dupla Laura Keller e Jorge, provocaram o tempo todo e é claro que o resultado foi uma baita torta de climão, né? Todos os casais se voltaram contra eles, até Gretchen e Simony se estranharam após a prova, mostrando que os ânimos estavam aflorados por todas as partes.

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Se existia uma aliança ali dentro entre dois casais que era real, era entre Gretchen e Simony. Ao lado de seus maridos Carlos e Patrick, eles mostraram a força da união de uma amizade sincera que passou por cima de tudo e todos para se manter fiel até o final. As duas cantoras já se conhecem há anos e colocaram a amizade acima da ambição, o que causou todo desentendimento com Conrado e Andréia Sorvetão e Gian e Tati, que pensaram mais no jogo.

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Tudo isso me fez pensar em uma coisa: no final, essa galera que se uniu para eliminar o casal campeão se mostrou fraco em suas alianças e a força que eles pensavam ter se mostrou inexistente. O desejo de fazer com que Laura e Jorge perdessem era tanto que eles não se preocuparam em quem estavam confiando nesta união, e nem deram a chance de conhecerem os campeões de verdade. Na vida, a gente recusa inúmeras oportunidades de conhecermos pessoas, seja por uma impressão errada ou uma prévia análise de comportamento, que nem nos importamos em avaliar as pessoas em quem a gente confia e que estão ao nosso lado. Focamos tanto em quem não gostamos que esquecemos que as pessoas em quem confiamos, essas sim podem nos surpreender de todas as formas, positiva e negativamente.

Laura Keller e Jorge ganharam todas, destruíram panelinhas e paradigmas, foram sinceros, mostraram o real laço que unia cada um daqueles casais e que ia longe de parceria e amizade, era ambição. Afinal, o Power Couple Brasil é uma competição e todo mundo ali quer ganhar. Porém, a maior lição de todas é que o casal Kamikaze mostrou que a gente só pode contar com a gente mesmo. E esse é o ensinamento mais importante que o reality deixou.

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23/6: Confira as estreias do cinema
em 23.06.16, por Bel Bonotto Claquete
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mais forte que o mundo

Esta semana, os cinemas estão marcados por duas grandes estreias nacionais: Mais Forte Que o Mundo, de Afonso Poyart, e O Caseiro, de Julio Santi. Confira abaixo as demais produções que chegam às telonas nesta quinta (23/6) e marque com a galera pra assistir.

MAIS FORTE QUE O MUNDO

Nascido e criado em Manaus, José Aldo (José Loreto) precisa lidar com a truculência do pai, Seu José (Jackson Antunes), que além de se embebedar constantemente ainda por cima bate na esposa, Rocilene (Cláudia Ohana), com frequência. Enfrentando constantemente seus demônios internos, Aldo encontra na luta sua válvula de escape. Acreditando em seu futuro como lutador, ele aceita se mudar para o Rio de Janeiro e morar de favor no pequeno alojamento de uma academia. Lá ele recebe o apoio do amigo Marcos Loro (Rafinha Bastos) e conhece Vivi (Cleo Pires), uma jovem que vai constantemente à academia. Precisando ralar um bocado para se manter, Aldo enfim consegue um voto de confiança do treinador Dedé Pederneiras (Milhem Cortaz), iniciando assim sua carreira no mundo do MMA. (Sinopse: Adoro Cinema)

O CASEIRO

Davi, um cético professor de psicologia, é famoso por escrever um livro que explica aparições sobrenaturais através da psicanálise. Após anos sem atender pacientes, ele viaja para o interior buscando investigar o caso de um homem que acredita que sua filha vem sendo assombrada pelo fantasma do antigo caseiro de sua propriedade, que se suicidou. (Sinopse: Adoro Cinema)

INDEPENDENCE DAY: O RESSURGIMENTO

Após o devastador ataque alienígena ocorrido em 1996, todas as nações da Terra se uniram para combater os extra-terrestres, caso eles retornassem. Para tanto são construídas bases na Lua e também em Saturno, que servem como monitoramento. Vinte anos depois, o revide enfim acontece e uma imensa nave, bem maior que as anteriores, chega à Terra. Para enfrentá-los, uma nova geração de pilotos liderada por Jake Morrison (Liam Hemsworth) é convocada pela presidente Landford (Sela Ward). Eles ainda recebem a ajuda de veteranos da primeira batalha, como o ex-presidente Whitmore (Bill Pullman), o cientista David Levinson (Jeff Goldblum) e seu pai Julius (Judd Hirsch). (Sinopse: Adoro Cinema)

PARATODOS

A trajetória, a vida e os desafios de alguns atletas paralímpicos, que fazem parte das delegações brasileiras de natação, atletismo, canoagem e futebol, em fase de preparação para os Jogos Paralímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. O dia-a-dia, a superação, os obstáculos, as alegrias, as tristezas de cada um dos atletas são objeto deste documentário, que também debate a questão da inclusão dos deficientes físicos na sociedade brasileira em geral. (Sinopse: Adoro Cinema)

AS MONTANHAS SE SEPARAM

Uma história em três partes que se inicia no fim da década de 1990 e acompanha Tao, bela jovem da província de Shanxi que se vê dividida entre dois pretendentes, seus amigos de infância Zhang e Liangzi. Um é herdeiro de um posto de gasolina, enquanto o outro trabalha em uma mina de carvão, e as consequências da decisão da mulher reverberam em 2014 e 2025. (Sinopse: Adoro Cinema).

 MARGUERITE

Nos anos 1920, a rica Marguerite Dumont (Catherine Frot) está convencida de que tem uma belíssima voz, e organiza vários concertos privados em sua mansão. Ela é muito apreciada pela generosidade e pelas belas festas, mas ninguém tem coragem de dizer que Marguerite canta incrivelmente mal. Um dia, a artista decide se apresentar em público. O marido teme a reação negativa, mas ela contrata um professor e se prepara para a apresentação de sua vida. (Sinopse: Adoro Cinema)

RAÇA

Cinebiografia de Jesse Owens (Stephan James), atleta negro americano que ganhou quatro medalhas de ouro nas Olimpíadas de Berlim, em 1936, superando corredores arianos em pleno regime nazista de Adolf Hitler.

VISITA OU MEMÓRIAS E CONFISSÕES

Um casal encontra uma casa aparentemente vazia no campo e, ao entrar nela, passa a explorar os cômodos do local. Em determinados momentos surge em cena o próprio diretor, Manoel de Oliveira, que explica o porquê de estar se mudando daquela casa, onde viveu por mais de 40 anos, e ainda faz um retrato de sua vida e carreira.

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[ABV Entrevista] Yuri Nishida, desde a demo verde
em 12.05.14, por Bel Bonotto Capa
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Esse nome pode parecer conhecido para você que curte rock nacional, e ouvia NX Zero no começo da carreira. Yuri Nishida, um músico, cantor, produtor musical, compositor, pai e, sobretudo, um cara de personalidade e identidade muito próprias.

E o site no kit.net ali, gente? hahaha

E o site no kit.net ali, gente? hahaha

O Yuri trabalha com música desde que nasceu (praticamente), mas é dos primórdios do NX Zero que é a minha memória mais recente dele. Ele fundou a banda em 2001, compôs grandes sucessos da banda paulista, e gravou um disco demo com a banda mais conhecido como “demo verde”, mas seu nome original é “Meu coração desconfia que ainda há mais do que meus olhos possam ver”. Na época, o underground brasileiro ainda estava engatinhando e poucas eram as bandas que faziam muito sucesso comercialmente como o NX Zero veio a fazer.

O público ainda era meio imaturo e considerava a banda propriedade deles. Digo isso porque eu era assim; o Darvin era meu. E os fãs de NX Zero desde o começo fizeram a comunidade no Orkut “NX Zero desde a demo verde” para mostrar o quão fiéis eles são há tanto tempo, e não fãs “modinha” que surgiram após o sucesso comercial da banda.

Após sua saída do NX Zero, Yuri Nishida fundou o Glória, que se apresentou no Rock in Rio de 2011, mas eu não gostava muito da banda então não acompanhei essa fase da carreira dele. Ele saiu novamente e entrou na banda Granada que foi onde eu virei realmente muito fã desse cara. O Yuri sempre compôs, mas como na época do Granada eu achei que não tivesse como melhorar. Deixo vocês comprovarem isso com esse vídeo da minha música favorita, com participação do Marcelo do Strike.

Mas aí o Yuri saiu do Granada e eu fiquei órfã de uma banda dele. Então, em 2010 ele ressurge com a banda VOWE onde ele parece ter encontrado sua identidade e uma forma livre de expressar a sua música. E se eu achava que do Granada ele não poderia melhorar mais, eis que ele me surge com uma das melhores músicas que eu já ouvi na vida. Ouça abaixo e comenta se não se tornou uma das melhores músicas que você já ouviu também.

Porém, parece que o entra e sai das bandas anteriores não abalaram as estruturas dos fãs do Yuri. Em entrevista exclusiva, Yuri fala sobre a sua relação com os fãs do seu trabalho.

Toco desde 2001 então muita coisa já aconteceu. (…) Tem muita gente que está comigo desde que comecei, isso realmente me impressiona e me deixa muito feliz a cada vez que os encontro ou recebo alguma mensagem ou algo do tipo. Essa é a minha maior motivação, poder fazer parte da “trilha sonora” de vida das pessoas. De algumas por alguns dias, de outras por anos e anos.

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Uma testemunha do amor que ultrapassa os anos é a fã Carol ‘Zebrá, que mandou através de uma amiga um presente para entregar ao Yuri no aeroporto em um show da VOWE em Brasília. A amiga registrou o momento e Carol se mostrou ainda mais fã depois do encontro com seu ídolo no show. Para ler o relato completo da Carol, clique aqui.

Também não parece ter abalado a relação com seus antigos colegas de grupo. Prova disso é esse vídeo de 2010, onde Yuri canta junto com o atual NX Zero uma das músicas de sua autoria.

Muitas pessoas que acompanham as antigas bandas do Yuri sempre questionavam o fato de quando a banda estava começando a fazer sucesso, Yuri as deixava. Alguns pensaram até que ele tinha um certo medo do sucesso, mas ele diz que não é bem assim.

Eu vejo e sempre vi o sucesso como uma consequência, mas que não deve ser esse o foco. O foco deve ser a diversão, o amor pela sua música. O importante pra mim é que o trabalho seja sincero, de coração, e que todos estejam na mesma sintonia, que seja verdadeiro. (…) Sucesso também é ilusão. Eu não fujo dele, apenas não chegou a hora certa pra mim, ou nunca irá chegar. To aqui há mais de 13 anos fazendo o que amo e ainda tem pessoas querendo ouvir. Não há vitória maior do que essa.

Ali em cima eu publiquei o vídeo da época do Granada em que eles fizeram uma parceria com o Marcelo, da banda Strike. O Yuri já fez várias parcerias musicais, mas o encontro que foi mais marcante pra ele foi gravar uma música com a banda que o inspirou a chegar até aqui, o Dance Of Days.

Dentre várias coisas eu gravei uma música com o Dance Of Days e isso pra mim já foi uma puta realização. Eles foram a primeira banda que vi tocando no Hangar 110. Direta ou indiretamente foram eles que me fizeram querer estar ali naquele mesmo palco um dia.

Além de fazer parte da banda VOWE, Yuri iniciou em 2013 um projeto solo. Pra mim, uma das características mais marcantes do Yuri é que ele faz a música na qual acredita e quis saber se esse projeto era também uma realização pessoal, e ele não só confirmou como deu mais algumas informações pra animar a galera que curtiu a primeira música do projeto.

É uma realização pessoal sim, sem dúvida, e disso ainda vem muita coisa. Na verdade já tem mais 4 músicas gravadas que só faltam colocar a voz, mas pretendemos lançar só mais pra frente. Meu foco agora é no novo disco da VOWE, que inclusive já está em fase final de gravação.

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Há cinco anos, o pequeno Gael chegou para alegrar a vida do agora então papai Yuri e, com o rock na veia, ele já mostra seu interesse nos passos do pai. Será que teremos uma banda do Gael daqui a alguns anos?

Desde muito novo ele pira em bateria e sempre da umas arranhadas nas cordas do meu violão. Tem a guitarrinha dele, mas gosta mesmo é da de verdade.

Com uma carreira musical reconhecia por um número considerável de pessoas, um filho lindo, música gravada com o Dance Of Days, passagens por grandes bandas, um compositor incrível… O Yuri tá bem na fita, né? Será que ele tem do que reclamar?

Há sempre mais pra se conquistar (pelo menos eu penso assim), mas faço o que amo, que é tocar com amigos e me divertir, tenho com outros amigos uma produtora, a Invasão Produções, onde trabalho com produção musical e de vídeo, tenho o melhor filho do universo e a mulher/amiga/namorada/companheira mais preciosa ao meu lado. Tô bem, vai?! Hahaha

Parece que não, né?

Texto publicado no Dammit.

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“Vinte Garotos no Verão” é muito mais do que uma história de superação
em 11.04.14, por Bel Bonotto Biblioteca, Suculento
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Vinte Garotos no Verão

Tenho o costume de entrar em livrarias e folear alguns livros com uma temática interessante atrás de suas capas. Quando entrei na livraria há três dias atrás, vi o livro “Vinte Garotos no Verão” em cima de uma pilha do mesmo livro nos corredores da Saraiva e, ao ler a contracapa, senti que precisava lê-lo por inteiro.

Eu sou muito fã de livros policiais e não costumo ler muitos romances, mas sabe quando o livro parece falar com você? Então, “Vinte Garotos no Verão” foi um desses livros – e talvez o que mais tenha se aproximado de mim, dentre todos que já li.

Na história, Anna é uma adolescente de 16 anos que tem dois melhores amigos desde a infância: os irmãos Frankie (apelido de Francesca) e Matt. O que nenhum deles sabia é que Anna era apaixonada por Matt desde sempre, mas em sua festa de 15 anos as coisas mudam quando ele a beija e admite sentir o mesmo que ela. Só que depois de um mês, Matt morre de forma trágica e Anna e Frankie têm que aprender a conviver com a perda do homem mais importante de suas vidas.

O livro acompanha a luta de Anna que busca ao mesmo tempo seguir sua vida, mas não quer esquecer Matt, e esconde de sua melhor amiga que ela está sofrendo por ter perdido também o primeiro amor de sua vida; e também mostra a forma com a qual Frankie encarna uma personagem bem longe de sua realidade para que possa encarar da melhor maneira possível (e a menos sofrível) para ela. Para tentar ajudar a filha, os pais de Frankie (que são uns fofos, por sinal) decidem viajar para a Califórnia no verão, como é costume da família, e levam Anna junto com eles.

Para agitar a viagem, Frankie sugere que as meninas conheçam 20 garotos novos no verão e que talvez assim sua amiga conheça alguém de quem ela goste. Anna entra na brincadeira, mas nem desconfiam o choque de emoções que elas viverão nessa viagem por causa disso.

Além de um texto tristemente lindo e sensível, o que eu mais gostei na história é que ela não é apenas sobre superação. É sobre como encarar a fase difícil do luto pela perda de um homem a quem você tanto amou; de um único irmão que era grudado com você e fazia tudo com você; é a luta contra o medo de não esquecê-lo mesmo que conheça pessoas novas; é a luta diária para conviver com as lembranças tão fortes e a conclusão de que um amor tão grande, por mais que você conheça o mundo e passe por mil situações diferentes, você nunca vai esquecer.

O livro de Sarah Ockler é extremamente sincero e emocionante. Comprei com uma certa expectativa e ainda assim ela conseguiu me surpreender com a mensagem linda dessa história de um amor não vivido, de uma história interrompida e do amadurecimento precoce a fim de conseguir superar uma dor dessa dimensão. Separei meus quotes preferidos para vocês terem uma pequena prévia do que os aguarda nas 285 páginas desse livro:

“Quando alguém que você ama morre, as pessoas perguntam como você está, mas não querem saber de verdade. Elas buscam a afirmação de que você está bem, de que aprecia a preocupação delas, de que a vida continua. Em segredo, elas querem saber quando a obrigação de perguntar terminará (depois de três meses, por sinal. Escrito ou não escrito, é esse o tempo que as pessoas levam para esquecer algo que você jamais esquecerá)”. Página 75

“Apenas engulo em seco. Faço que sim e sorrio. Um pé diante do outro. Estou bem, obrigada por não perguntar”. Página 25

“Não se mova, Anna Reiley – ele diz. – Neste exato momento, tudo está perfeito”. Página 211

“Num minuto o diário estava em minhas mãos, suave, familiar e real; logo depois, desapareceu. Como Matt. E, como Matt, eu precisava deixá-lo partir”. Página 264

“Vinte Garotos no Verão” foi lançado no Brasil pela Editora Novo Conceito e está à venda nas livrarias. Compre aqui.